Jiu-Jitsu com Aikido – A integração dos pólos

Por Fernando Belatto*

“O princípio da horizontalidade nas artes-marciais é representado pelas técnicas de solo, como o Jiu-Jitsu. O princípio da verticalidade é representado pelas artes que utilizam como predominância as técnicas nas quais os praticantes, na maioria do tempo, se encontram de pé, como por exemplo o Aikido.
Por agora, gostaria de destrinchar um pouco mais esse princípio da horizontalidade…
Eu vejo esse princípio de 2 formas: internamente ( autoconhecimento / espiritualidade) e externamente ( relativo ao mundo material / físico  ). Os dois se complementam, um leva para outro.
Essa horizontalidade remete ao lado mais instintivo e básico do ser humano. O treino de uma prática como a do Jiu-Jitsu por exemplo, onde a maioria dos movimentos se encontram no solo e são baseados em movimentos de répteis e mamíferos, faz com que tenhamos contato com um lado mais instintivo realmente, mas vejo que isso não tem nada a ver diretamente com violência, pelo contrario, acredito que se bem orientado, essa consciência dos nossos lados mais instintivos e primitivos podem vir a ser uma ótima ferramenta para o nosso autodesenvolvimento, nos levando muitas vezes a termos resgates de memórias antigas, da infância e que se bem trabalhadas e integradas podem nos trazer uma abertura no coração e um aumento da consciência, tanto corporal quanto espiritual.
A horizontalidade traz a Terra e o Fogo, não é a toa que lutadores de Jiu-Jitsu são mais massudos, normalmente com o corpo trabalhado. É naturalmente uma prática que desenvolve a musculatura do corpo como um todo.
A verticalidade, por outro lado, traz o elemento ar, e água… Remete a um estado de consciência mais elevado, mais espiritual. Porém, no meu modo de ver, precisamos tomar muito cuidado para não vestirmos uma máscara de espiritualidade. Da mesma forma que percebo muitos lutadores de Jiu-Jitsu com esse estereótipo de Pitty Boy, passando um ar de violência, também percebo no meio do Aikido, muitos lutadores com esse ar de espiritualidade, inclusive, julgando outras artes como não espirituais. Muita calma nessa hora…
Pelo menos no meu ponto de vista, todos os caminhos tem a sua devida importância e seria muito legal se “abríssemos o leque” e pudéssemos treinar mais artes-marciais.
Na minha visão o Budo é uma coisa só na qual o princípio é nos levar de volta a essência daquilo que nós somos, o Amor.
Em muitas linhas psicológicas, bem como em muitos trabalhos de autoconhecimento, encontramos teorias que dizem que devemos mergulhar na nossa infância, que é lá que devemos resgatar e integrar dores profundas que nos fazem, na vida atual, repetir atos que nos levam ao sofrimento.
Morihei Ueshiba, como Jigoro Kano, ambos, antes de criar suas próprias Artes-Marciais, treinaram bastante o Ju-Jutsu, então, tiveram oportunidades para mergulhar nesse lado mais instintivo…
Não quero dizer de jeito nenhum que deveria ser uma Regra treinarmos as duas artes mas sim que seria muito rico e interessante estarmos abertos para tal possibilidade.
Eu, para ser sincero, apenas começei a treinar o Aiki, mas agora, gostaria de me comprometer e dar uma passo a mais em relação a esse maravilhoso caminho da Harmonia.
Que assim seja!
Um grande abraço a todos os Artistas-Marciais e que possamos caminhar no sentido do verdadeiro Budo!
Namastê
Fernando!”
*Fernando Belatto é professor e faixa preta de Jiu Jitsu, praticante de meditação e Aikido, criador do método O-DGI e do portal Guerreiro Interno.
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6 responses to this post.

  1. Muito interessante o texto, também acredito na possibilidade de comunhão das duas artes em uma só pessoa, e não cabe limitar-se por preconceito.

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  2. “também percebo no meio do Aikido, muitos lutadores com esse ar de espiritualidade” … he he..esse cabra sabe das coisas 🙂

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    • Pois é. Esse é o problema dos extremos que as vezes os praticantes dessas artes podem chegar. O caminho do meio é sempre o melhor caminho. A espiritualidade do Budo, sem perder a marcialidade e vice-versa. Obrigado Sensei Vinícius do blog impressione.wordpress.com, por sempre prestigiar esse blog.

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  3. De extrema importância, reflexões como essa. Faz com que possamos refletir sobre nós mesmos. O objetivo é um só! E são muitos caminhos.
    A possibilidade de treinar as duas artes ou mais é uma forma de buscarmos o domínio do ego.
    Muito bom!

    Responder

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