Defesa Pessoal não é o fim imediato no Aikido

 técnica lidiane

No Aikido, a defesa pessoal não é o fim imediato.

Assim também se dá nos casos de artes marciais como o Kendo, Iado, Jodo, Kenjutsu, Iajustu, Kyudo, etc… a não ser que estejam seus praticantes se preparando para uma guerra de espadas, bastões e flechas.

A presença de espírito e a consciência da realidade no momento presente são sem dúvida o foco dessas artes, que podem ser muito mais úteis ao indivíduo para perigos da vida cotidiana do que treinar técnicas de defesa pessoal pura e simples.

A luta psicológica, diferentemente da luta física, é um fator diário na vida de todos. Proteger o cargo ou emprego é, em sentido amplo, proteger o indivíduo e sua família. Para isso, treinar a consciência de quem é, onde está e com quem vive é fundamental.

Mesmo numa situação de assalto, a mente fria pode salvar a vida. Reagir a um bandido armado pode somente precipitar uma fatalidade. Certa vez, quando eu nem praticava ainda arte marcial, um rapaz puxou meu relógio e correu. Não fui atrás, até mesmo, porque eu não teria o que fazer… depois, saiu calmamente o parceiro dele que ficou atrás de mim. Imagine se eu fosse um lutador e corresse atrás desse indivíduo?!

Creio que a defesa pessoal também não é o foco das lutas esportivas. Seria útil numa briga de um para um (adaptando-se à ausência de quimonos e regras), mas talvez não ajudasse numa situação inesperada que requer resposta rápida e mente fria, por exemplo, assalto e tumulto, muito mais comuns.

Ouso dizer que mesmo as técnicas pura e simples de defensivas podem, dependendo da formação do indivíduo, agravar o risco ao invés de salvar. Uma falsa ideia de poder talvez gere reações, quando deixar levar seja a melhor decisão. Salvo, é claro, em situações extremas como risco real de vida, estupros ou lesão corporal grave. Tirando casos extremos, melhor ceder.

Bom lembrar que os Samurais, a mais elevada classe de guerreiro conhecida, não temiam a morte, mas a respeitavam e, por isso, valorizavam a vida. Para tanto, realizavam práticas meditativas como forma de obter maior consciência da realidade, da presença na vida e da existência da morte.

Perceber, aliás, é defender-se. Perceber onde está, onde há perigo e evitá-lo, é a melhor defesa. E isso se treina no Aikido.

Acredito que sob este enfoque, fica muito mais compreensível as palavras Ô Sensei Morihei Ueshiba, fundador do Aikido, de que “nunca ser derrotado é nunca lutar”.

José Ribamar Lopes

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