Sem competições sim. Não competitivo? Nem tanto.

aikidomaos

O Aikido é mundialmente propagado como uma arte não competitiva, mas em verdade, essa foi a idealização do seu fundador quando criou a arte, após concluir não haver vitória definitiva, por não inexistir resultados perenes.

 No entanto, concluir que no Aikido não há competitividade é outra coisa…Infelizmente.

 O ser humano é, por sua própria natureza, competitivo. Talvez seja uma herança do nosso instinto primitivo de sobrevivência. Aliás, o instinto de sobrevivência é sempre útil, no entanto, em nível diverso ao dos dias nas cavernas.

 A guerra já não é mais realidade de todos os povos. Mas, o mesmo não se pode dizer quanto a guerra pelo espaço individual… a guerra pelo primeiro lugar.

 Quando comecei a ler sobre Aikido, ainda antes da prática, fiquei maravilhado com a filosofia do fundador, bem como pelos depoimentos dos praticantes. Todo praticante, em entrevistas, falava com voz mansa, sempre destacando o aspecto da harmonia. Os livros estão encharcados deste tema.

No Aikido não há competição, mas tenho observado que, como toda prática onde há humanos, há muita competitividade. Quer entre parceiros que sempre se comparam, quer entre confederações, academias e professores.

Entramos para a prática inocentes, achando que tudo é um mar de harmonia; mas depois verificamos que existe uma grande separação. Mundialmente temos várias organizações; no país várias confederações; nos Estados e cidade vários grupos de academias… o que não seria problema se essas não se autoexcluíssem.

Chega a um momento em que se chega a crer que não se entra na corrente mundial do estilo de vida do Aikido; mas que apenas se treina técnicas em grupos limitados por autoexclusões.

Às vezes torna-se muito desconfortável conviver em ambientes cujos comportamentos são incongruentes com as doces palavras distribuídas. E isso pode comprometer o gosto por praticar, se você foi cativado inicialmente pela filosofia.

Repito que isso é um aspecto do próprio ser humano… Muitas vezes o fato de querer vencer a competitividade inata,  conseguimos, no máximo, reprimi-la em nós. E reprimida, fortalece-se e extrapola-se fora do nosso controle.

Situação semelhante, no que tange à competitividade, vi até a Monja Zen Budista Coen Roshi relatar numa entrevista, aos 3min34seg, sobre a disputa interna na comunidade Soto Zen Shu aqui do Brasil.

Isso não é bom, porque são essas práticas que buscamos remediar a competitividade já existente nas nossas relações sociais.  E assim, muitas vezes, quando, nestas práticas, buscamos uma força, encontramos mais um peso.

No entanto, é uma realidade das relações humanas, quase que irremediável, que, ou convive com isso e controla-se o quanto pode para não entrar nesse ciclo, ou então desiste e deixa a prática por não suportar tamanha incongruência.

Mas para quem tem realmente um compromisso com a nossa arte, pode relevar tudo isso, ao lembrar-se da lição do fundador de que a verdadeira vitória é a vitória sobre si mesmo.

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7 responses to this post.

  1. Welcome to the jungle 🙂

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  2. O problema relatado é fato, Ribamar. Mas a competição não é inerente à natureza humana, e sim ao ego. Nem sempre onde há homem, há ego, embora esse seja o caso em 99% das vezes. Dessa forma também não há “competitividade no Aikido”, mas sim, uma competitividade velada entre as pessoas que vão ao dojo, que aflora justamente do ego dessas. Digo velada porque o ego nunca faz as coisas inteiramente às claras, para que não lhe percebam, doravante poderia ser apontado de forma negativa, e isso o ego não quer de forma alguma. 😀 Ainda, se você reprime um efeito, existindo ainda a causa, obviamente isso vai acabar mal. Todavia, se você resolve a causa, não haverá mais efeito. Bem, isso é apenas a minha percepção atual. Parabéns pelo texto e pelo ato de refletir, coisa tão rara hoje em dia!

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    • Concordo plenamente com seu comentário Rodrigo Mesquita. Desse modo como você abordou encontramos ressonância no Budismo, outra fonte da qual me alimento. Fui mais simplório com minha exposição. Muito agradecido pelo seu comentário. Grande abraço.

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  3. Ribamar, agradeço a provocação de postar no grupo Aikido Brasil. Esse é um ponto que me incomoda muito. Acho que a comparação velada entre os praticantes um tanto natural, desde que se entenda que isso tem raízes no ego de cada um e não é estimulada pelos mestres. Olhar para o lado pode ser uma forma de aferir a própria técnica e se melhorar, mas não motivos de desentendimentos e vaidades.

    Porém, a competitividade entre federações é extremamente nociva. Acho inadmissível que o ego das diretorias se manifeste nas falas institucionais e nos ensinamentos, principalmente. Esse tipo de competitividade e opinião sobre outras federações deveria ficar guardado para si, e trabalhado num sentido de diluir-se. A cada vez que um instrutor critica a federação alheia, perpetua o espírito separatista em seus alunos.

    Espero um dia poder contribuir com a união de todos nós.

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  4. Posted by Sinval Paes on 28 de setembro de 2014 at 19:37

    Minha esposa sempre me diz que não entende o Aikido, porque vivem se degladiando e se ignorando, que o conceito de Harmonia -ai- não está sendo praticado há muito tempo. Sinto ter que concordar, existem grupos dentro de uma mesma escola que não se frequentam, mas quando há um evento com um Shihan famoso, chamam todos para participar, mas a recíproca nem sempre é verdadeira.
    Ô-Sensei não se importava e evitava o confronto com seus alunos mais proeminentes, por criarem estilos próprios, ás vezes até praticando algo contra os princípios fundamentais do Aikido. Portanto, a competição entre as escolas de Aikido deve terminar, para termos a correta e justa disseminação do conhecimento por todos os praticantes dessa nobre arte. Abraços.

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