Aikido nas relações sociais

Estive pensando nos conflitos existentes nas relações de trabalho e, como o Aikido poderia ser-nos útil. São muitas as investidas psicológicas que nos afligem no dia-a-dia. Precisamos nos manter centrados para não nos deixar desestabilizar. Lembro-me da frase do filme Mulan, onde imperador da China diz: “Não importa quão forte o vento sopre, a montanha jamais se curvará”.   No Aikido realizamos o estudo do centramento das nossas bases. Mas o fazemos não para ficarmos imóveis; ao contrário, trabalhamos para mantermos a estabilidade, ainda que em movimento. Se no aspecto emocional devemos ser firmes como uma montanha, no aspecto físico e psicológico devemos ser maleáveis para sabermos desviar das adversidades, sem deixar que elas nos atinja.   Fisicamente, cuidamos de manter a postura relaxada na parte superior do corpo; já na parte inferior mantemos o centramento desta, que suportará a estrutura corporal, dando estabilidade a partir de um centro baixo.   Treinamos deslocamentos, denominados irimi, a fim de, através de uma entrada, não estarmos no local do ataque. Usamos um giro, chamado tenkan para modificarmos o sentido do nosso corpo, passando ver a situação por outro ângulo.      

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A respiração é outro aspecto essencial para que mantenhamos controle sobre determinada situação; não convém que retenhamos ar envelhecido nos pulmões. Inspiramos ar novo, fazemos circular pelo nosso corpo essa oxigenação e liberamos com o movimento, potencializando nossa força.   Podemos aplicar tudo isto na vida diária. Quando há uma agressão psicológica, não deve o agente recebê-la para si, mas deixá-la passar, dissipando a força ofensiva. Como bem diz um conto Zen: quando não recebemos um presente, o doador o leva de volta.  
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  O Agente não se opõe a força agressora (sai da frente com um irimi), permite que essa se expresse e olha no mesmo sentido que ela (tenkan). Exaurida a força do “ataque” devido a livre e total expressão, perde o atacante a sua força ofensiva, ocasião em que o agente poderá tranquilamente operar a condução.      
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Se por acaso acontecer de o agente ser atingido e cair (mesmo que psicologicamente), também não deve haver resistência à queda. Deve soltar-se no movimento para cair com proteção e voltar erguido pronto para uma nova situação. No Aikido chamamos de Ukemi.    
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Por último, princípio outro do Aikidô aplicável as relações sociais é o do Ma-ai, que corresponde ao distanciamento seguro. Através desse princípio compreendemos que toda aproximação deve ter um limite. Não tão distante para esfriar as relações, nem tão perto para pôr as integridades física ou psicológica em risco, mantendo assim a saúde dos relacionamentos.    
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  Com isso concluo que o Aikido tem muito a nos ensinar para viver de uma forma mais sadia, produtiva e com bem-estar, através de uma postura relaxada, centrada, protegida das quedas e  pronta para os novos desafios.   Por tudo isso desejo muito mais Aikidô nas suas vidas, quer seja no tatame ou nas nossas convivências sociais.   José Ribamar Lopes

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