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O AIKIDO É PARA POUCOS

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créditos da foto : Colette Phillips postado em flickr

O Aikido é para poucos.  Em primeiro lugar,  porque tem que se compreender por qual motivo treinar esta arte, pois não é ela agressiva, não é competitiva…

Ora, mas que espécie de arte marcial esquisita é esta?

O Aikido é um Budo… um caminho marcial… não cria um guerreiro; mas também sabemos que a tecnologia de guerra atual dispensa a luta corpo à corpo como em outros tempos.

O Aikido também não gera competidores… porém, acredite, há pessoas para quem a competitividade do dia-a-dia já basta.

Criada no contexto histórico do pós-guerra, objetiva gerar cavaleiros da paz, pretende eliminar nossos medos, ansiedades e angústias, preparando-nos para lidar com as situações de crises, sem se apegar a elas… e o corpo é o seu instrumento… Buscar senti-lo, movimentá-lo… estudamos técnicas de defesas para aprender a controlar situações de perigos… a não temê-los… e assim contorná-los sem prender-se a eles; técnicas originadas da guerra,  mas que objetivam a paz… a paz individual… a paz coletiva.

Os aikidocas são assim?  Não necessariamente… mas almejam ser… ao menos os praticantes sinceros.

Parece bobagem, não é tudo isso? Tudo bem… te entendo… O Aikido é para poucos.

José Ribamar Lopes

A PLENA ATENÇÃO

A atenção plena é uma das qualidades desenvolvidas no Zen e no Budismo em geral, mas também devemos desenvolvê-la no Aikido.

Estar presente, é uma prática fundamental no nosso caminho marcial. No budismo realiza-se através de práticas meditativas ou através da realização consciente das atividades cotidianas.

É bom ressaltar, no entanto, que são caminhos distintos, com mecanismos distintos, com alguns resultados comuns, como é o caso da plena atenção.

Por isso e outras coisas que o Aikido é um caminho; um instrumento de aperfeiçoamento pessoal.

Na nossa prática, a consciência do presente se faz fundamental, quando se há um treino sério e comprometido.

Embora a tradução “caminho da harmonia da energia” sugira uma prática inofensiva, um desavisado poderá surpreender-se. O Aikido é uma arte marcial defensiva. Utiliza muito de atemis (golpes), desequilíbrios, projeções e torções. É uma arte derivada das práticas samurais utilizadas nos campos de batalhas, modificadas para não lesionar, mas, com certeza, salvaguardar o seu praticante, resolvendo a situação conflituosa.

A harmonia da energia, na verdade, não é uma “valsa” com o agressor. É a harmonização com o percurso da força para absorvê-la e dominá-la, conduzindo a uma situação controlada. Que fique claro, o Aikido NÃO É O ZEN!!! São caminhos diversos, com alguns fins e instrumentos comuns. A conhecida frase “o Aikido é o Zen em movimento” é, em verdade, uma metáfora, fazendo uma referência a estes pontos.

A prática marcial deve ser sincera! Portanto, ambos os participante Uke e Tori (nage) devem estar atentos, pois um atemi (golpe) virá, seguido de uma projeção ou aprisionamento, ou ambos juntos, que pode eventualmente ser danoso aquele que não souber moldar-se à situação.

Portanto, conectar-se com o presente é fundamental. A atenção plena é uma necessidade… não é como sentar e optar por observar-se. Ou observa-se ou sentirá o gosto amargo da prevaricação.

Assim, os métodos são diversos, mas alguns resultados são comuns. A plena atenção é a mesma. A prática que é diversa.

Com o tempo, como frutos da atenção plena, observamos não somente ao outro, mas a nós mesmos, podendo identificar a semente da discórdia presente em nós, que muitas vezes acirra o conflito, que quando não alimentado, termina em seu nascedouro. Assim, atentos, poderemos eliminar o espírito agressivo existente em nós, poupando-nos da utilização das ferramentas físicas feitas para funcionar.

José Ribamar Lopes

Filosofia e Prática – Um só caminho

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O treino do Aikidô deve ser diário. O refinamento da técnica se dá com a prática. Mas não se treina Aikidô só tecnicamente… temos de estudar os princípios filosóficos, se não, deixa de ser Budô. O Aikidô surgiu das intuições e estudos religiosos do Fundador. É o que o diferencia da maioria das demais artes marciais, deturpadas com o cultivo da exaltação dos méritos pessoais.
A ênfase somente na técnica tenderá ao desequilibrio que culminará na exaltação do ego e na separação. Creio que não foi isso que Ô Sensei ensinou. Se olharmos profundamente já andamos todos muito separados. Os símbolos dos nossos grupos, às vezes, denunciam isso. Às vezes nos comportamos como times e queremos vez ou outra mostrar-mo-nos melhores. Tenho tentado refletir sobre isso… Tento estudar as técnicas; mas tenho procurado também as fontes filosóficas e a meditação, a fim de buscar perceber aonde estou saindo do caminho. Aonde estou refletindo no outro um erro que na verdade é meu.

José Ribamar Lopes

Oficina de Aikido

oficina de Aikido no Pró-vida

Na vida as coisas simplesmente acontecem. Portas se abrem e se fecham, constantemente, fazendo-se necessário estarmos com a mente liberta a fim de reconhecermos os momentos certos de agir, quer seja para tomarmos atitudes positivas ou desviar os caminhos a fim de mantermo-nos no fluxo da vida.

Muitas coisas boas têm acontecido. A vida e o Aikido me proporcionaram encontros especiais e concedeu oportunidades especiais também.

Estou há poucos meses com a Oficina de Aikido, no programa de qualidade de vida do Judiciário Estadual Potiguar. Minha ideia inicial era levar uma melhor qualidade de vida no ambiente de trabalho para os colegas do TJRN. Em meio a algumas dificuldades, como espaço, entre outros, os fins vão se confundindo e o objetivos passam a desviar-se.

Encontros recentes e inesperados com pessoas que tem me inspirando nos meus projetos, trabalho de meditação realizado no Dojo e o reencontro com meus livros, trouxeram-me de volta ao meu norte.

Assim, o Aikido no Pró-vida, volta ao seu prumo, conforme sua proposta inicial, não de aula de Aikido, mas como Oficina vivencial de Aikido com técnicas de meditação e relaxamento e inserção dos princípios da não-resistência aplicada, com o fim de auxiliar aos participantes, na busca da obtenção de um ambiente de trabalho mais favorável, ameno e com menor índice de estresse. A busca da superação dos conflitos através de posturas mentais relaxadas, através da compreensão da transitoriedade do conflito, do enraizamento no momento presente, da ausência de apego a posição, com fim de ultrapassar os desafios com serenidade.

Alegro-me com o retorno ao caminho e sou grato aos que me inspiram pelos exemplos deixados.

Agora volto a entender que estender os benefícios das práticas que tenho experimentado compartilhando os seus benefícios com os colegas de trabalho é o meu principal foco nessa empreitada.

Ribamar Lopes

O DESAPEGO É O CAMINHO

 – O Irimi Nague em nossas vidas

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Aikido é um caminho prazeroso, no entanto, não é fácil. O desapego é da sua essência, não somente na sua aplicabilidade técnica, mas principalmente no aspecto mental.

O Irimi Nague é um exemplo claro desta afirmação. Deixar passar, ou seja, o desapegar, é fundamental.

No entanto, a constância no caminhar, a evolução e a graduação, são desafios por si só na evolução espiritual. Com apego mental é mais difícil a evolução verdadeira.  Afinal a conquista real está contida na afirmativa Masakatsu Agatsu katsuhayabi – a verdadeira vitória é a vitória sobre si mesmo.

Vemos por aí muitos casos de flagrante desencontro entre evolução técnica, evolução de graus, vaidade, orgulho, e  presunção. O sentir-se importante é um desafio ao caminho.

Então evolui-se em que? ser graduado ou perfeitamente técnico, mas cheio de empáfia? E as lições metafóricas da prática, nada ensinam?

Temos de ter cuidado para não estarmos nos enganando. Enganar aos outros é fácil. Enganarmos a nós mesmos é cruel, pois no dia que a cortina da ilusão abrir, o espírito não trabalhado vai desabar.

Pratiquemos Irimi Nague nas nossas vidas!!!  Nos desapeguemos mais e olhemos mais para os outros. Senão a evolução terá sido somente um engodo a si mesmo, de uma falsa importância e superioridade.

José Ribamar Lopes

O que realmente significa uma faixa preta?

Por Reverendo Kensho Furuya – 6° Dan Aikikai (In Memorian)

(…)Como se obtém a faixa preta? Você deve encontrar um professor competente e uma boa escola, começar a treinar e a trabalhar duro. Algum dia, quem sabe quando, ela chegará. Não é fácil, mas vale a pena. Pode levar um ano; pode levar dez anos. Talvez você nunca a consiga. Quando você compreende que a faixa preta não é tão importante quanto à prática em si, provavelmente está se aproximando do nível de faixa preta. Quando você compreende que não importa quanto tempo ou quão duro você treine, há uma vida inteira de estudo e prática à sua frente até a morte, você provavelmente está chegando perto da faixa preta.
Seja qual for o nível que você obtenha, se você achar que “merece” uma faixa preta ou se achar que você agora “é bom o bastante” para ser um faixa preta, você está fora do caminho e, sem dúvida, muito distante alcançá-la. Treine duro, seja humilde, não se exiba diante do seu mestre ou de outros alunos, não reclame de nenhum encargo e dê o seu melhor em tudo em sua vida. Este é o significado de ser uma faixa preta. Ser autoconfiante demais, exibir suas habilidades, ser competitivo, desprezar os outros, demonstrar falta de respeito e escolher aquilo que faz ou não faz (acreditando que alguns trabalhos são indignos de você) caracterizam o aluno que nunca obterá a faixa preta. Aquilo que vestem ao redor da cintura não passa de uma peça de comércio comprada por uns poucos dólares em alguma loja de artigos para artes marciais. A verdadeira faixa preta, usada por um verdadeiro possuidor de uma faixa preta, é a faixa branca do principiante, tingida de preto pela cor do seu sangue e do seu suor.

(…)
O texto completo pode ser lido no site da Academia Brasiliense de Aikido.

A voz do Aikido

Eu quero que todos tenham mente aberta para escutar a voz do Aikido. Não tente mudar as outras pessoas. Mude a sua própria mente primeiro. Essa é a meta do Aikido, é a sua mensagem. Cada indivíduo te um papel a desempenhar na divulgação dessa mensagem.

Morihei Ueshiba
em Ensinamentos Secretos do Aikido. Ed. Cultrix. 2010, p. 98.