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A ÚLTIMA POSTAGEM

fim

Em 16/10/2010 o blog Mussubi teve a sua primeira postagem. De lá pra cá foram 144 publicações, 20.565 visualizações, 6.509 visitantes e 694 seguidores. No dia 7 de outubro de 2015 este blog atingiu o ápice de 293 visualizações e um dia.

Mas alimentar estatísticas nunca foi o propósito. Foi esse espaço virtual, desde o seu inicio, uma manifestação da verdade do meu coração… escrevi o que acreditei que era  importante compartilhar… conheci pessoas, amealhei seguidores, recebi a honra da atenção daqueles que deixaram seus comentários.

Nunca fui pretensioso. Compartilhei sempre deixando claro que expressava minha simples opinião… opinião de um praticante…um estudante…um iniciante, portanto sujeita a equívocos.

O blog me fez conhecer pessoas pelo Brasil que manifestaram apoio e incentivo… o que raramente tive no meu Estado.

A tinta que escrevi era a paixão por essa arte que tomou conta da mim… arte que me exigiu horas de dedicação… que se confundia com a minha vida,  que me aproximou de pessoas, mas também me afastou de outras. Levou-me horas de sono… não foram poucas… me trouxe alegrias e angústias.

Mas a vida é um processo contínuo. A impermanência é intrínseca a vida… e agora chegou o momento inserir o ponto final.

Tenho orgulho de ter criado esse blog e escrito nele com todo meu coração e minha verdade. Não ouvirei o termo mussubi sem identificar-se como algo meu… como um sobrenome… Ribamar Mussubi.

Agradei a alguns… muitos ficaram indiferentes… Através de busca na internet descobri transcrições dos meus textos sem referência à fonte ou autoria, como se deles fossem… pessoas que sequer curtiram a publicação original… pessoas inclusive graduadas que não tiveram a humildade de dar créditos a este autor. Pessoas conhecidas que elogiavam a cópia, ao pensar que o texto era do copiador, mas que nunca o fizeram nos originais… (rsrsrs)… coisas do ser humano…

Cumpri minha missão… compartilhei quem eu sou, assim como sugeriu Richard Moon em “Aikido em três lições simples”. Expus-me pelo que acreditei e hoje encerro minha colaboração.

Ofereço esse último texto à minha esposa,  minha grande parceira na arte e na vida; aos meus filhos que sempre me ensinam a sonhar.

Ao sensei Gabriel Lopes Anaya meu primeiro sensei… pra mim o melhor… sempre coerente na fala (pouca),  comportamento discreto e técnica limpa … aquele de quem  eu voltaria a ser aluno. O meu sensei!

Ao Sensei Tarciso Dantas, sempre parceiro durante toda a minha caminhada!

A Maroni Costa Leitão uma referência de praticante … que quando fui treinar, já estava como yudansha, aluno do sensei Gabriel… Maroni que até hoje treina… isolado, mas sempre discreto, sem inveja, sem pretensões, a não ser de treinar; para mim um grande aikidoca, por sua postura como ser humano. Uma raridade ética…

Ao sensei Matias de Oliveira, pelo suporte que sempre me deu na prática independente. Por sua coragem de falar a verdade, doa a quem doer… por ser verdadeiro, o que é raro, principalmente nas práticas que se julgam caminhos (ambientes propícios à hipocrisia).  Onde é comum sorrir na frente e falar por trás. Com ele não! Diz o que tem a dizer.

A memória de Kawai Sensei.

A família Ueshiba que traz consigo a essência intocável dessa arte tão extraviada, deturpada, incompreendida e mal disseminada pela maioria dos seus praticantes (arrogantes, desunidos e hipócritas). Para mim o Doshu, não só de direito, mas de fato é a melhor representação do Aikido… do belo Aikido de Morihei Ueshiba, cuja visualização das técnicas me faz lembrar quanto é admirável o Caminho da Harmonia da Energia.

Aos seguidores do Mussubi, um sincero e agradecido Adeus.

José Ribamar Lopes “Mussubi”

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Hombu Dojo é a minha referência

Existem vários mestres e estilos técnicos difundidos por todo o mundo. Observando os praticantes, vê-se os seus referenciais. Em que pese o mérito dos vários mestres existentes, com estilos inigualáveis desenvolvidos através de vários anos de estudos, busco seguir o estilo Hombu Dojo, apresentado na figura do Doshu Moriteru Ueshiba. Um misto de precisão e fluidez… um Aikido belo de se ver e se praticar, sem firulas e malabarismos; preciso sem ser grosseiro… fluido sem ser banal ou fraco.

É a própria manifestação dos ensinamentos de Ô Sensei Morihei Ueshiba, o seu avô, posta em prática.

É ele, para mim, a grande referência do autêntico Aikido. Nele que me inspiro e tento observar, para quem sabe um dia, poder fazer ver na minha técnica a sua influência.

Não fui ainda ao Japão, mas está nos meus planos para um futuro, sabe-se lá quando. Mas vejo com atenção os seus ensinamentos existentes na mídia.

Tenho visto algumas interpretações dos movimentos básicos de Aikido. Desenvolvendo meu estudo pessoal, recorrendo à fonte, analiso o posicionamento de alguns aspectos estudados.

Por exemplo, muitos que seguem o estilo que quando realizam o ushiro ukemi – aparam o corpo na ponta do pé. Ocorre que nas instruções do Hombu Dojo, deita-se o pé, para facilitar o ukemi. Alguns dizem que deitando o pé repetidamente, poder-se-á lesionar o pé ao longo do tempo. Creio, no entanto, que isso pode-se dar se apoiar-se no pé; mas o correto é deitar o pé e ceder, sem esforço, de modo a permitir uma real fluidez do ukemi.

Veja como se dá a instrução do Hombu Dojo:

Outra instrução que difere nos Dojos, é quanto ao método de levantar-se. Muitos descem primeiro a perna esquerda e ao subir elevam logo a direita. Tem até livro ensinando isto. Justificam que era a forma que os samurais utilizavam para sacar a espada. Ocorre que o Hombu Dojo ensina justamente o contrário. Talvez porque trata-se de uma arte deliberadamente dos tempos de paz? Não sei. Mas assim o é. Vejamos no vídeo abaixo:

Portanto por essas e outras, tendo que optar por um ou outro entendimento, tenho como norte para meu estudo as lições do Hombu Dojo e as técnicas do Doshu Moriteru Ueshiba.

Entrega de Certificado e Yudansha Card

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Recebi hoje o meu certificado de Shodan e o Yudansha Card, emitidos pelo Hombu Dojo, no Japão, de forma a conferir validade formal ao primeiro grau de faixa preta conquistado no exame realizado no dia 02 de Dezembro do ano passado. É uma honra para mim recebê-lo não pela mera vaidade, mas por ter podido chegar até o dia de recebê-lo, como sinal da minha continuação. O grau ou o certificado não me faz melhor…continuo o mesmo, com o que aprendi ou com que ainda estou por aprender. A graduação não faz mudar. Mas continuo curioso e ansioso por aprender. Sonhando a cada dia com uma maior utilização do Aikido na minha vida; sonhando a cada dia com minha evolução e perseguindo-a constantemente. O certificado liga-me formalmente ao quartel general do Aikido no Japão, presidido pelo Doshu Moriteru Ueshiba, neto do fundador; o que me enche de orgulho por ter podido recebê-lo e portar um documento que me liga a história, tradição e instituição criada por Ô Sensei Morihei Ueshiba.

Agradeço ao Sensei Matias de Oliveira, Secretário Geral da União Sulamericana de Aikido, que presidiu meu exame e de quem trago a assinatura no meu Yudansha Card.

Mais uma vez agradeço ao meu Sensei Tarciso Dantas, que desde o primeiro dia em que treino com ele na Academia Central de Aikido de Parnamirim, depositou em mim seu apoio, incentivo e confiança.

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AIKIDO NÃO É YOKO

Numa das conversas com minha esposa, também praticante de Aikido, falávamos da nossa dificuldade no yoko ukemi, visto que muitos iniciantes faziam, e nós não, mesmo quando eu já estava no 1º Kyu – Faixa marrom e ela no 3° Kyu – faixa verde. Isso me dava uma sensação de limitação e angústia, vendo uma turma nova fazê-lo facilmente.

Quando conversei com meu sensei por ocasião do meu início como seu aluno, tranquilizou-me este dizendo não me preocupar por não ser isto o mais importante.

Soube que o outro sensei que tive também pensa desse modo. Ressalte-se, que ambos os senseis que trato caem de yoko muito bem. Segundo ouvi, o segundo  vê no yoko mais o aspecto estético do que prático.  Lembro-me, no entanto, que nos seus treinos o ensino desta queda dava-se de forma lateral, aliás, do mesmo modo demonstrado no vídeo oficial do Hombu Dojo, realizado pelo Doshu Moriteru Ueshiba;

E não sobre a cabeça, como vemos nas apresentações.

Discretamente o meu sensei, ensinou-me a cair de yoko da segunda forma mencionada, fazendo com que eu eliminasse o medo que me travava.

Agora despertado pelo tema em razão da conversa prefalada, resolvi expressar a conclusão a que chegamos.

Então, é importante cair de yoko?

Bom, nosso país, região e nesse ano, nosso Estado, tem sido, felizmente, muito agraciado com seminários. No entanto, não tenho notícia de ter qualquer Sensei convidado ocupado-se em ensinar a  cair de yoko. Ensinam ao invés os princípios básicos, Ikkyo, Nikyo, Sankyo, etc, porque, apesar de os referidos princípios não serem (isoladamente) o Aikido, neles estam contidos os seus fundamentos.

Vejo pessoas, que assim como eu, que passaram dos trinta, tinham ou tem dificuldade ou restrição nesse tipo de projeção,inclusive graduados, o que aliás não é demérito algum, porque fazem bem os princípios e isso é o importante.

Não posso dizer que não foi bom aprender fazê-lo, mas somente por uma questão de transpor mais uma limitação, dentre as várias que temos na vida; e não porque isso faz melhor ou pior no Aikido. É como aprender a nadar ou andar de bicicleta depois de adulto.

yoko faz parte do grupo ukemi, este sim importante, mas o primeiro é uma opção, diga-se de passagem, muito legal fazer, mas não fundamental. É bom buscar fazer pelos fatores tratatados no parágrafo anterior, mas nunca autocobrar-se por isso.

Assim, no meu modesto entender, concluo que Aikido não é yoko e que portanto, julgar a qualidade do praticante pelas quedas que executa, não é a melhor medida, salvo, se tem apenas por objetivo ser oficializado uke.

Ribamar Lopes