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A ARTE DOS SANTOS

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Ukon Takaiama – o samurai de Cristo

O Aikido tem tantos objetivos elevados que faz crer que é uma arte de santos… nada disso… na verdade tudo que vem com muita doutrina gera santos de pau oco. A concorrência,  a competitividade,  a inveja, a busca por sucesso e a necessidade de destaque está onde o ser humano estiver. O fundador dizia que o Aikido é para levar à paz em todos os cantos do mundo… mas não é assim… tem sido a própria arte motivo de separações… assim como é nas religiões… grupos distintos não se cruzam.

Gosto desta arte pelo que ela é…, pelo que representa para mim, e não pelo que tenho encontrado… conheci muitas pessoas.. conheci pessoas boas… confio em poucas… vejo muita empáfia e arrogância… incoerência… mas isso não afeta a arte… treino Aikido pelo Aikido… melhor que fosse diferente… mas a vida é como é… e no Aikido também… Eu treino pelo que acredito… tento mudar a mim mesmo, embora seja ínfimo o progresso, mas a busca me satisfaz.

José Ribamar Lopes
um José no Aikido

Sem competições sim. Não competitivo? Nem tanto.

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O Aikido é mundialmente propagado como uma arte não competitiva, mas em verdade, essa foi a idealização do seu fundador quando criou a arte, após concluir não haver vitória definitiva, por não inexistir resultados perenes.

 No entanto, concluir que no Aikido não há competitividade é outra coisa…Infelizmente.

 O ser humano é, por sua própria natureza, competitivo. Talvez seja uma herança do nosso instinto primitivo de sobrevivência. Aliás, o instinto de sobrevivência é sempre útil, no entanto, em nível diverso ao dos dias nas cavernas.

 A guerra já não é mais realidade de todos os povos. Mas, o mesmo não se pode dizer quanto a guerra pelo espaço individual… a guerra pelo primeiro lugar.

 Quando comecei a ler sobre Aikido, ainda antes da prática, fiquei maravilhado com a filosofia do fundador, bem como pelos depoimentos dos praticantes. Todo praticante, em entrevistas, falava com voz mansa, sempre destacando o aspecto da harmonia. Os livros estão encharcados deste tema.

No Aikido não há competição, mas tenho observado que, como toda prática onde há humanos, há muita competitividade. Quer entre parceiros que sempre se comparam, quer entre confederações, academias e professores.

Entramos para a prática inocentes, achando que tudo é um mar de harmonia; mas depois verificamos que existe uma grande separação. Mundialmente temos várias organizações; no país várias confederações; nos Estados e cidade vários grupos de academias… o que não seria problema se essas não se autoexcluíssem.

Chega a um momento em que se chega a crer que não se entra na corrente mundial do estilo de vida do Aikido; mas que apenas se treina técnicas em grupos limitados por autoexclusões.

Às vezes torna-se muito desconfortável conviver em ambientes cujos comportamentos são incongruentes com as doces palavras distribuídas. E isso pode comprometer o gosto por praticar, se você foi cativado inicialmente pela filosofia.

Repito que isso é um aspecto do próprio ser humano… Muitas vezes o fato de querer vencer a competitividade inata,  conseguimos, no máximo, reprimi-la em nós. E reprimida, fortalece-se e extrapola-se fora do nosso controle.

Situação semelhante, no que tange à competitividade, vi até a Monja Zen Budista Coen Roshi relatar numa entrevista, aos 3min34seg, sobre a disputa interna na comunidade Soto Zen Shu aqui do Brasil.

Isso não é bom, porque são essas práticas que buscamos remediar a competitividade já existente nas nossas relações sociais.  E assim, muitas vezes, quando, nestas práticas, buscamos uma força, encontramos mais um peso.

No entanto, é uma realidade das relações humanas, quase que irremediável, que, ou convive com isso e controla-se o quanto pode para não entrar nesse ciclo, ou então desiste e deixa a prática por não suportar tamanha incongruência.

Mas para quem tem realmente um compromisso com a nossa arte, pode relevar tudo isso, ao lembrar-se da lição do fundador de que a verdadeira vitória é a vitória sobre si mesmo.

Entrega de Certificado e Yudansha Card

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Recebi hoje o meu certificado de Shodan e o Yudansha Card, emitidos pelo Hombu Dojo, no Japão, de forma a conferir validade formal ao primeiro grau de faixa preta conquistado no exame realizado no dia 02 de Dezembro do ano passado. É uma honra para mim recebê-lo não pela mera vaidade, mas por ter podido chegar até o dia de recebê-lo, como sinal da minha continuação. O grau ou o certificado não me faz melhor…continuo o mesmo, com o que aprendi ou com que ainda estou por aprender. A graduação não faz mudar. Mas continuo curioso e ansioso por aprender. Sonhando a cada dia com uma maior utilização do Aikido na minha vida; sonhando a cada dia com minha evolução e perseguindo-a constantemente. O certificado liga-me formalmente ao quartel general do Aikido no Japão, presidido pelo Doshu Moriteru Ueshiba, neto do fundador; o que me enche de orgulho por ter podido recebê-lo e portar um documento que me liga a história, tradição e instituição criada por Ô Sensei Morihei Ueshiba.

Agradeço ao Sensei Matias de Oliveira, Secretário Geral da União Sulamericana de Aikido, que presidiu meu exame e de quem trago a assinatura no meu Yudansha Card.

Mais uma vez agradeço ao meu Sensei Tarciso Dantas, que desde o primeiro dia em que treino com ele na Academia Central de Aikido de Parnamirim, depositou em mim seu apoio, incentivo e confiança.

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