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Viver Sem Crise

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Acabei de ler o livro “Viver Sem Crise -10 passos Essenciais para conquistar uma vida mais equilibrada”, da Jornalista, Consultora e praticante de Aikido, Olga Curado.

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Tomei conhecimento do seu trabalho após ler a matéria sobre às assessorias que havia prestado ao ex-presidente Lula e à então presidenciável Dilma Rousseff.

Atraído por esse enfoque, passei à buscar notícias relacionadas à autora na rede e, à medida que tomava conhecimento do alcance seu trabalho, aumentava minha admiração, tendo, inclusive, em 2011, republicado aqui no blog mussubi as páginas da revista Cláudia, contendo a matéria.

Essa descoberta reforçou o meu desejo pré-existente de um rumo semelhante, já iniciado quando da construção deste blog em 2010, de um Aikido aplicado à vida cotidiana, inicialmente inspirado no Livro de Richard Moon (Aikido em Três Lições Simples), bem como no trabalho de José Roberto Bueno Sensei, no Dojo Aikido Harmonia.

Nessas pesquisas descobri ainda o trabalho de outras pessoas como as palestras do Sensei Oldair Amadeo do Dojo Masakatsu e o métódo do Professor Fernado Bellato do site Guerreiro interno, entre outros.

Nesse contexto surgiu a ideia de levar o Aikido ao meu ambiente de trabalho, com a Oficina de Aikido, em prática no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.

Ocorre que, por ocasião do Seminário de comemoração dos 50 anos de Aikido no Brasil, tive a inesperada oportunidade de treinar justamente com a jornalista Olga Curado, o que para mim foi um grande momento. Aproveitei para manifestar a admiração que tenho ao seu trabalho e expor sobre as atividade que venho realizando.

Muito atenciosa, ouviu-me e presentou-me, após, com o seu mais recente livro “Viver Sem Crise -10 passos Essenciais para conquistar uma vida mais equilibrada”, o qual já estava prestes a adquiri-lo.

Embora já fosse esperado do livro uma excelência no que diz respeito às lições úteis ao gerenciamento de crise, em face do currículo da autora, surpreendi-me ainda com uma abordagem para além de técnica, posto que repleta de sabedoria, própria de quem vivencia o próprio método ensinado, através das práticas no tatame e nos trabalhos de consultoria, entremeado com conhecimentos de ensinamentos budistas, presente na sua obra.

Portanto, não é este um livro para ser lido por um impulso, de uma única vez; pois cada capítulo tem um estudo peculiar a ser debruçado com toda atenção. Ouso dizer que este trabalho, devido a sua profundidade, é passível de ser considerado como “A Arte da Guerra”  dos dias atuais.

Agora, junto com “Aikido em Três Lições Simples” de Richard Moon e Aikido – O Desafio do Conflito, de Masafumi Sakanashi, é este mais uma das pedras a ladrilhar o caminho que escolhi para o meu Aikido.

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TENCHI NAGE – A CONSCIÊNCIA NO PRESENTE

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Em termos simbólicos, o céu Ten é o futuro; a terra Chi, o passado; e o Hara é o presente. O nome da técnica nos mostra que a total harmonização entre o céu e a terra se dá no ser humano que está ancorado no hara , em seu instante presente. Outros caminhos trabalham a meditação com o corpo estático, nós fazemos em movimento, mas sempre desde o hara, o centro vital.

Massafumi Sakanashi Sensei, em Aikido e o Desafio do Conflito. Editora Pensamento. São Paulo, 2011, p. 50.

IRIMI NAGE – Finalizando o conflito, reestabelecendo a paz

Conclui no ano passado um Pós Graduação em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Lia na época o livro “Aikido o Desafio do Conflito” de Masafumi Sakanashi, quando pensei se haveria como inserir a filosofia do Aikido na minha monografia. Serviu-me de inspiração também o subtítulo “harmonia no confronto” do Livro “Aikido Shugyo” de Gozo Shioda.

 Nessa linha, encontrei o tema da Mediação Judicial, que pretende ser um instrumento de pacificação do litígio, com objetivo de não somente por fim ao processo, mas restabelecer a pacificação social, através do método de fazer olhar o problema sob o prisma do outro.

À minha mente veio então a imagem do IRIMI NAGE, técnica do Aikido onde as partes iniciam em posições diametralmente opostas, para em seguinda olhar no mesmo sentido, e, a partir de uma confluência de energias, conduzir a um fim benéfico a ambos os praticantes.

Receei, porém, não ser compreendido no formalismo do universo jurídico, de modo que não deixei o Aikido expresso no meu trabalho, senão nos agradecimentos onde fiz referência a O Sensei, por seus ensinamentos que me conduziram naquela empreitada.

No entanto, quando da defesa oral, embora verbalizasse a mediação, visualizava o IRIMI NAGE, que era do que eu realmente tratava.

Ao fim, para minha surpresa, a banca se disse surpreendida pela minha abordagem, que superou a escrita, porque calcada em princípios, dando a nota de 9,5 (nove e meio), para mim, muito além do esperado.

Claro que tive sorte de ter pego uma excelente banca, que me deixou tranquilo para poder expressar-me, além ser composta por membros mais abertos à idéias.

Mas acima de tudo, senti-me muito gratificado em ter podido expressar-me através do Aikido, a arte cuja técnica e filosofia, escolhi para moldar meu espírito e personalidade.

Ribamar Lopes

1° Kyu – Aikido

Lutar espada sem espada

Quando tu percebes a espada que vem abater-se sobre ti, se tu pensares em enfrentar essa espada tal como ela está, tua mente vai fixar-se na espada segundo a posição em que ela se encontra; teus movimento se perderão e tu será atingido pelo oponente. É isso que significa fixar-se.
Embora vejas a espada que vem abater-se sobre ti, se a tua mente não for detida por ela e tu te conformares ao ritmo da espada que avança; se tu não pensares em abater o oponente e eliminares de ti todo o pensamento ou julgamento; se, no instante em que tu vês o golpe da espada, tua mente não for minimamente detida e tu avançares e arrancares dele a espada; então, espada que vinha atingir-te será a tua própria espada e, de modo contrário, será a espada que atingirá o teu oponente.
No Zen, diz-se que isso é “Agarrar a lança e ferir aquele que vinha te ferir”. A lança é uma arma. A essência disso é que a espada que tu arrancas do teu adversário é a espada que vem a atingi-lo. É isso que, no teu estilo, se chama “lutar espada sem espada”.

Trecho do livro “A mente Liberta” de Takuan Soho. Ed. Cultrix.

Morre Massafumi Sakanashi Shihan

Faleceu neste sábado, 11 de fevereiro o Sensei  Massafumi Sakanashi Shihan, após um AVC, quando dirigia-se para o seu Dojô na quarta feira próxima passada.

Autor do Livro “Aikido o Desafio do Conflito” no Brasil editado pela Ed. Pensamento, o qual tive recentemente oportunidade de compartilhar a prazeirosa experiência da sua leitura.

Sensei Sakanashi pelo sua própria história é um vencedor, posto que aos 11 (onze) anos de idade já teve um pequeno infarto, superando as dificuldades da vida através da prática do caminho do Aikido.

Espero que dê-se com resignação iluminada a sua passagem desta vida.

A arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen

Acredito que todos aqueles que treinam Aikido, devem sentir dificuldades para explicar a utilização desta arte como caminho, em face da idéia pré-concebida de arte marcial como luta, projetada pelos filmes, cujo grande ícone foi Bruce Lee, seguido de vários outros tais como Jackie Chan, Jet Li, etc.

No entanto, com grande maestria, o livro “A arte cavalheiresca do Arqueiro Zen” de Herrigel Eugen, facilita-nos essa tarefa, quando utilizando como fundo o caminho do arqueiro, para demonstrar a supremacia da finalidade espiritual por trás dos diversos caminhos espirituais japoneses, cuja práticas são meros instrumentos para crescimento individual como é o caso do próprio Kyudo (o caminho do arco), mas como também a cerimônia do chá, o arranjo de flores a arte sumi-e. Embora não mencione (nem teria como fazê-lo em face de escrito em 1948 quando o Aikido estava acabando por nascer oficialmente) o trajeto, os relatos e os fins, são perfeitamente enquadráveis na nossa prática, de modo a fazer-me acreditar indispensável à todos os aikidoístas, bem como aos praticantes dos demais caminhos disponíveis, notadamente de origem nipônica.

Aborda ali as dificuldades, a necessidade de perseverança, a necessidade do desprendimento e a supressão do ego para sem objetivos alcançar o fim maior, num angustiante paradoxo para o praticante que deve deixar de desejar alcançar um objetivo para atingi-lo. Desprender-se de um resultado para alcançá-lo…retirando o “Eu” para ser um com a ação natural, alcançando a perfeição.

É portanto, um excelente depoimento que nos serve de inspiração e reforço na caminhada

Aikido O desafio do Conflito

CAPA LIVRO O DESAFIO DO CONFLITO - de Masafumi Sakanashi Sensei

LIVRO AIKIDO O DESAFIO DO CONFLITO - de Masafumi Sakanashi Sensei

já li uma quantidade razoável de livros sobre Aikido. Alguns mais filosófisos, outros mais práticos, mais marciais, outros ainda sob o enfoque espiritual, bem como aplicado à realidade cotidiana extramarcial.

No entanto, dentre os vários, boa surpresa tive com “Aikido o desafio do conflito” de Masafumi Sakanashi Sensei. Sem pretensão de ser um manual  ou tratado filosófico, é uma verdadeira conversa de mestre sob à luz da visão de uma vida doada ao Aikido. Traz a arte para a vida do praticante como forma de iluminar a estrada que conduz ao caminho para o desenvolvimento individual, numa abordagem de absoluta intimidade com o nosso cotidiano. Já é este um dos meus livros prediletos, o qual li e reli, e que gostaria de indicá-lo àqueles que vêem o Aikido além da prática física e para além do tatame, posto que sempre ao relê-lo me sinto mais firme entusiasmado na minha jornada no caminho da harmonia da energia.