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O NECESSÁRIO ESFORÇO

Muitas atividades são abandonadas antes mesmo de adquirir um tempo mínimo que possibilite observar o seus benefícios mais profundos. No Aikido não é diferente. Não sendo um curso prático, é uma atividade a ser realizada por toda uma vida. Creio que cada degrau alcançado proporciona uma visão nova, a mostrar horizontes antes não alcançados… aclaram a visão turva do nível anterior. Assim, quem quer ver mais tem de alcançar níveis superiores…o o que consome décadas.

Transcrevo abaixo uma conversa de Ajahn Chah, Monge da Tradição da Floresta do Budismo Theravada, com outros monges, acerca da perseverança da prática monástica, que também é aplicável na nossa realidade do Aikido.   Segue a transcrição:

(…)“outras pessoas conseguiram obter fogo daquilo, mas não há um sinal que diga: ‘O fogo está aqui neste bambu seco, está bem aqui.’ Como ele tem que fazer para vê-lo? Tem que pegar duas varas de bambu e esfregá-las sem parar, após um tempo surge o fogo, ele está bem ali. Acreditamos que há fogo ali e experimentamos, pegamos duas varas de bambu e esfregamos, fazemos até cansar, quando cansamos vem a preguiça, não é? O bambu está começando a esquentar e nós: ‘Humm… que preguiça!’ Havia fogo, mas jogamos fora e depois anunciamos a todos: ‘Não há fogo aqui, aqui não há fogo.’ Nos enganamos. Na verdade há fogo ali, mas se não criarmos calor suficiente, o fogo não aparece. Isso é porque nos deixamos influenciar por nossa opinião, não procuramos a verdade. Se nos esforçarmos em continuar, se tivermos resiliência, energia, esforço e esfregarmos o bambu até surgir fumaça e fogo, a chama se acende de verdade. Mas não fazemos o suficiente, então não há fogo, então decidimos: ‘Hum, não tem fogo aqui.’ Na verdade nosso esforço é que não foi suficiente.

Título original: Chan, Ajahn et all. Darma da Floresta – Ensinamentos de mestres da Tradição da Floresta do Budismo Theravada. Para quem conhece o Darma não há brigas.pg. 31. Amaravati Publications 2014.

José Ribamar Lopes